Não existe vida digna sem direito ao descanso
"O MPP considera fundamental que qualquer debate sobre reorganização da jornada de trabalho seja construído com participação popular"
Crédito: Tânia Rêgo/Agência BrasilO Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPP) afirma seu apoio à luta histórica da classe trabalhadora pela redução da jornada de trabalho e pelo fim da escala 6x1 (seis dias de trabalho e um dia de descanso), modelo que tem aprofundado o adoecimento físico e mental de milhares de trabalhadores e trabalhadoras no Brasil.
Para o MPP, o direito ao descanso, à convivência familiar e à qualidade de vida deve estar acima da lógica da superexploração do trabalho.
Embora a maioria dos pescadores e pescadoras artesanais trabalhem de forma autônoma, com jornadas extensas de trabalho, instabilidade econômica, escassez de políticas públicas e condições precárias de trabalho - compreendemos que essa é também a realidade de uma grande parcela da população brasileira que trabalha na escala 6x1. Por isso, a defesa de uma jornada de trabalho mais humana faz parte da luta dos povos das águas por dignidade, saúde e melhores condições de vida.
O trabalho não pode impedir que as pessoas estudem, cuidem da família, participem da vida comunitária e vivam plenamente seus territórios e culturas.
O MPP considera fundamental que qualquer debate sobre reorganização da jornada de trabalho seja construído com participação popular, diálogo social e fortalecimento das organizações coletivas dos trabalhadores e trabalhadoras. A redução da jornada, sem redução salarial, representa um avanço e deve ser tratada como medida de justiça social, valorização da vida e distribuição mais equilibrada do tempo de trabalho. Diante da pressão popular que clama por um novo formato de trabalho, é necessário que a mobilização seja permanente, tendo em vista que temos em nosso país um Congresso Nacional que não atende as demandas populares que possam, sob qualquer medida, beneficiar a classe trabalhadora.
Defender condições dignas de trabalho também é defender soberania alimentar, saúde coletiva e justiça social. Os pescadores e pescadoras artesanais seguem somando forças às lutas da classe trabalhadora brasileira por direitos, dignidade e por uma sociedade em que o trabalho esteja a serviço da vida, e não da exploração.
MPP Brasil